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Luiz Flávio Gomes: “Em qualquer país mais rigoroso Alexandre de Moraes já estava na rua”

Luiz Flávio Gomes: “Em qualquer país mais rigoroso Alexandre de Moraes já estava na rua”
Por Andreh Ponttez Gomez

O programa Mariana Godoy Entrevista desta sexta-feira (30) recebeu o jurista Luiz Flávio Gomes, o humorista Murilo Gun e o cantor Gabriel Sater. Para celebrar o Dia da Secretária, a plateia do programa foi formada por secretárias de grandes empresas de São Paulo. O programa foi aberto pelo cantor Gabriel Sater, que apresentou a canção “Lembranças Demais”.
Depois da abertura com música, começou a participação do humorista Murilo Gun, que iniciou sua “carreira” aos 12 anos de idade de forma bastante “peculiar”, colocando fotos de mulheres nuas na internet. Hoje em dia, ele dá aulas de criatividade e explicou: “É um assunto que as pessoas imaginam que é algo estático”. Ele contou que existe um congresso que há 63 anos ensina técnicas de criatividade, o que mostra que esse aprendizado não é algo tão novo assim.
Murilo destacou a criatividade dos pequenos: “As crianças são muito criativas. A gente vai crescendo e perdendo a criatividade”. Para ilustrar isso, Murilo mostrou hábitos infantis que os adultos vão perdendo com o tempo, como o de aguçar a curiosidade e fazer muitas perguntas. Para ele, o que atrapalha o adulto “no fundo é o medo de fracassar, de se expor”. Contra esse medo, ele incentivou: “Para você criar tem que se expor”. Ele disse que um artista, que trabalha a semana inteira, durante anos, acaba se acostumando ao fracasso e, consequentemente, à reciclagem.
Calçando um confortável par de chinelos durante a entrevista, fato incomum em programas como o de Mariana Godoy na TV, ele questionou: “Quem disse que não pode”? E continuou: “A gente, muitas vezes, não faz coisas criativas porque a gente continua num padrão”. Mariana Godoy, então, admitiu que já trabalhou de pantufas do Scooby Doo.
O humorista garantiu: “Ócio criativo é essencial. Os adultos perdem a criatividade porque ficam ocupados demais”. Ele ainda ironizou esse fato: “Acham lindo ficar ocupados”. Murilo observou que “muitas vezes, nesse momento de ócio, surge aquela ideia ‘do nada’. Ela não surge do nada”. Para ele, esse ‘problema’ já era processado inconscientemente.
Muito espirituoso, ele aproveitou a presença do jurista Luiz Flávio Gomes para saber que “crimes” teria cometido ao montar um site na internet que reproduzia inúmeras imagens de uma famosa publicação de nus femininos. Murilo contou que copiava as fotos, colocava em um site e ainda ganhava dinheiro com isso. O jurista explicou, sob a ótica da lei, o que configuravam as ações de Murilo e observou que as modelos expostas poderiam reivindicar uma “participação” nos lucros do rapaz, já que ele se utilizava de forma indevida das imagens delas.
Murilo Gun relembrou essa fase: “Esse site durou dois, três anos, depois eu vi que dá problema isso aí e montei uma empresa de fazer sites. Depois de um tempo fui pra comédia, mas nunca saí da internet, apenas mudei a forma”.
Para ele, “comédia e aula têm muitas similaridades”. Ele explicou que para conceber as aulas de criatividade se deu conta, pela primeira vez, como era o próprio processo criativo e, também, o de outras pessoas: “Descobri que tinha padrões e adoro descobrir padrões. Descobri que os comediantes tinham todos o mesmo padrão”. Murilo revelou que as aulas que criou são “legais, informais e leves”.
Ao ser incentivado a dar uma dica para quem deseja ser criativo, ele afirmou: “A principal dica, parece besteira, mas é uma coisa muito importante, é não se contentar com a primeira resposta certa”. O humorista explicou que, normalmente, na escola, aprende-se a responder as questões pensando em um gabarito, com apenas uma resposta certa. Ele exemplificou seu raciocínio propondo um exercício muito pertinente, sobre a construção de uma casa e a obviedade na solução deste problema usando a matemática do jeito padrão. Ele apontou outras saídas para o problema que, sob a ótica da educação, talvez não fossem consideradas corretas e concluiu que para resolver um problema “você pode optar por um caminho padrão ou você pode abrir um novo caminho”.
Murilo contou sobre a experiência que teve em uma escola que funciona dentro da Nasa, onde foi estudar futurismo e inovação e disse, ainda, por que bolou o sobrenome Gun. Segundo ele, a ideia era se diferenciar de outros ‘Murilos’ já existentes e se tornar único na internet.
Depois da participação de Murilo Gun, foi a vez de o Jurista Luiz Flávio Gomes iniciar sua participação no programa e ele abriu seus comentários com a grande polêmica da semana, a divulgação de informações privilegiadas feita pelo ministro da Justiça Alexandre de Moraes: “Ele pisou na bola”. Para o jurista, Moraes “não pode saber” das ações da Lava Jato: “As operações da Lava Jato, assim como todas as operações policiais, são sigilosas e o ministro não pode porque dá a sensação de que ele manda na Polícia Federal (PF)”. Ele afirmou que o ministro só manda na PF do ponto de vista orgânico e burocrático, mas não no trabalho da instituição. Ele enfatizou: “O trabalho da Polícia Federal precisa ser independente, porque senão fica subordinado a um governo de plantão”.
O jurista voltou a enfatizar, dessa vez com muita veemência: “Alexandre de Moraes pisou na bola, em qualquer país um pouco mais rigoroso ele já estava na rua”. Luiz Flávio condenou a conduta do ministro e analisou o vídeo que comprometeu Moraes: “Nenhum ministro sério faz isso em país nenhum sério. Não pode! São os limites das autoridades, todo mundo tem limites”. Ele prosseguiu: “Deixa uma suspeição agora de que a Polícia Federal está subordinada a ele do ponto de vista operacional”. O jurista criticou: “Foi vaidade no sentido de que eu tenho informação, eu sou poderoso, eu sei mais do que todos vocês”.
Em uma pausa na entrevista, e lançando luz sobre o ex-ministro Antonio Palocci, Mariana Godoy mostrou uma gravação feita em Brasília com o caseiro Francenildo Costa, o homem que ‘derrubou’ Palocci. Francenildo teve a vida particular exposta, perdeu emprego e ainda foi investigado por órgãos públicos após contradizer o político acerca de uma suposta ida do ex-ministro a uma casa onde seriam feitos negócios “ilícitos”.
Luiz Flávio analisou o caso e explicou que Francenildo deve ser indenizado: “Houve uma violação da sua intimidade. Expor a sua vida íntima, sem você autorizar, claro que isso tem que ser indenizado”. Para o jurista, as autoridades, de modo geral, “fazem o que fazem pela sensação de impunidade, que é uma coisa de 500 anos no Brasil”. O especialista citou os crimes cometidos, desde a escravidão, sem que houvesse punição aos donos de engenhos e concluiu que no Brasil a “tradição de impunidade perdura”.
O jurista analisou a questão das prisões em segunda instância, muito questionada por advogados, e opinou: “Acho que o Supremo vai manter”. Para ele, os advogados cumprem o papel deles, mas “cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF) definir de acordo com o que está vigente no Brasil”.
Ao analisar as questões que envolveram o impeachment e o “fatiamento” do julgamento de Dilma Rousseff, Luiz Flávio foi direto e disse que houve equívoco do ministro Ricardo Lewandowski. Ele apontou para uma questão delicada a esse respeito: “Os ministros são nomeados no Brasil pela política”. Para ele, “o tropeço nesta questão da Dilma foi o desrespeito à Constituição”. Ele ainda questionou porque é que o Supremo não corrige isso com uma canetada e observou: “Sabe como a população interpreta isso? Como falta de credibilidade daquele órgão”. Apesar das críticas ao STF, ele elogiou a recém-empossada presidente do Supremo, a ministra Cármen Lúcia.
Luiz Flávio comentou as ações da Operação Lava Jato e foi duro: “Nós temos que pôr um limite nessa turma. Todo picareta tem que ter limite, não interessa o partido”. Para ele, prender o ex-ministro Guido Mantega e depois soltá-lo pode ter dado a impressão de que não havia motivos para mantê-lo preso.
O jurista analisou as “10 Medidas Contra a Corrupção” e afirmou: “A 70% eu diria sim, mas tem 30% que tem que corrigir”. Luiz Flávio também criticou prisões feitas com base em ‘convicções’: “Tudo na Justiça é prova”. Para esclarecer o tema, ele explicou por que o goleiro Bruno e o amigo ‘Macarrão’ foram presos pelo assassinato de Eliza Samudio: “Não preciso ver você matando a vítima, tenho que ter um conjunto de provas que me leva a crer que foi você”.
Luiz Flávio Gomes garantiu que “a quantidade de provas materiais contra Antonio Palocci é impressionante”. Ele foi além: “128 milhões, tudo isso é propina, não tem como”.
O jurista, entretanto, apontou que as investigações não podem se concentrar apenas no Partido dos Trabalhadores: “Se não afetar outros partidos, a limpeza fica pela metade”. Luiz Flávio Gomes garantiu que há denúncias no STF contra PT, PP, PMDB e disse que “o PSDB levou algumas migalhas por fora”.
O especialista fez um comentário impactante: “O Supremo foi projetado para garantir a impunidade dos poderosos, das elites que estão dirigindo o país”. Ele criticou o funcionamento do órgão: “O Supremo é lento por natureza. A estrutura foi montada para garantir a impunidade”. Ele cita casos de políticos com “foro privilegiado” para ilustrar sua opinião.
Luiz Flávio comentou outra questão bastante recorrente no país, a diferença de tratamento entre casos envolvendo partidos distintos: “Veja o mensalão do PT, já está todo mundo condenado, já foi pra cadeia, e comparem com o mensalão do PSDB de Minas Gerais, que é anterior ao do PT. Não tem uma condenação até hoje definitiva”.
Para o jurista, é possível que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja condenado e fique inelegível para 2018, sobretudo por seu julgamento ter sido encaminhado ao juiz Sérgio Moro: “Para 2018, o cenário é este, nítido e claro: o Lula deve ser alcançado por condenação criminal e, se condenado em segunda instância, o Lula está fora de 2018, enquanto a turma do PSDB, cheia de problemas com corrupção, e a turma do PMDB não vão estar com condenação, porque o Supremo está demorando 600 dias para receber uma denúncia”.
Luiz Flávio ainda comentou a possibilidade de que muitos votos sejam anulados nas próximas eleições: “O povo está muito indignado, porque a gente vê essas picaretagens aí de todos os velhos partidos”. Ele ainda avisou: “Se você quer roubar, não vá para cargo público, porque é incompatível”. Para finalizar, ele observou: “A Lava Jato não vai mudar o Brasil, mas está dizendo: castas intocáveis, vocês têm limites”.
Para finalizar o programa, retornou ao palco o cantor Gabriel Sater, interpretando a canção “Um Novo Amanhã Agora”. Depois da apresentação, ele observou: “Não estava na pauta essa música, mas depois dessa conversa não tive como não tocar”. O artista estava se referindo à impactante entrevista do jurista Luiz Flávio Gomes.
Filho do cantor Almir Sater, é impossível não notar a semelhança entre eles. O jovem contou um pouco de sua vida: “Eu nasci em São Paulo, mas fui criado em Campo Grande (MS). Comecei a tocar lá, depois que eu vim pra São Paulo, mas é maravilhoso também, São Paulo é incrível”. Ele observou que é um ‘músico tardio’: “Eu comecei a tocar relativamente tarde, sendo que sou filho de músico”. Ele contou que sua opção pela carreira ocorreu por volta dos 15 ou 16 anos de idade. E confidenciou: “As moças que me levaram a tocar violão. Eu era bem cheinho, gordinho, na escola, bem tímido e não tinha como quebrar o gelo das meninas, não era muito bom de papo”. Com extrema humildade, Gabriel Sater admitiu que no começo era “meio desafinado”, mas foi à luta: “Perseverei e acabou virando carreira”.
Gabriel contou sobre sua admiração por um artista em especial: “Eu ganhei um parceiro que é um presente, o Luiz Carlos Sá, o Sá da dupla Sá e Guarabyra, que é o meu grande ídolo”. O cantor contou quem são suas inspirações e, claro, entre elas estão seu pai, Sérgio Reis, Renato Teixeira, entre outros grandes nomes da música caipira, mas as influências do artista vão além da música sertaneja: “Eu comecei tocando música regional sul-mato-grossense, mpb e blues”.
O cantor contou sua experiência como ator na novela “Meu Pedacinho de Chão”, onde dava vida ao personagem Viramundo, e confessou: “Sou um pouco obsessivo nas criações”. Ele disse isso porque aprendeu a tocar viola para viver o personagem e garantiu ser muito aplicado: “Quando eu estou em circuito de instrumental toco dez horas por dia”.
Gabriel Sater falou ainda sobre o musical “Nuvem de Lágrimas”, feito com base em canções da dupla Chitãozinho e Xororó. Sater elogiou a escolha por “músicas que foram consagradas na voz dessa dupla incrível”. Ele ainda elogiou a participação no espetáculo da multitalentosa Lucy Alves. Gabriel Sater adiantou canções presentes no espetáculo: “Nuvem de Lágrimas, Fio de Cabelo, Som da Viola, Evidências”. Ele ainda confidenciou: “O teatro é muito diferente da TV, então foi uma nova descoberta. Aprendi a não me criticar tanto como na música”.
O artista ainda explicou como cuida de sua voz: “Começo o dia com exercícios vocais, porque se ficar rouco já não canto em lugar nenhum, não trabalho. A minha voz hoje em dia virou uma preocupação, virou uma neurose, no bom sentido”.
Para finalizar, ele explicou a diferença entre viola e violão e apresentou a canção “Boca do Mato”.

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Andreh Ponttez Gomez, é ator, blogueiro e jornalista por vocação. Participou de mais de 300 programas de TV, nas principais emissoras do país. É Youtuber, responsável pelo canal Alvorada do Brasil.

Anddreh Ponttez

Anddreh Ponttez é ator, jornalista por vocação, escreve sobre famosos e televisão desde 2011.Escreveu para diversos veículos de comunicação e hoje comanda o site Coluna da TV.Em 2017 estreou como colunista de TV e famosos dos programas A Tarde é Show e do Programa Lucimara Parisi, na Rede Brasil.

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