Mariana Godoy Entrevista: “A PEC 241 vai passar no Senado”, garante a senadora Rose de Freitas (PMDB-ES)

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Mariana Godoy Entrevista: “A PEC 241 vai passar no Senado”, garante a senadora Rose de Freitas (PMDB-ES)
Por Andreh Ponttez Gomez

O Mariana Godoy Entrevista desta sexta-feira (28) discutiu a controversa Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, comumente chamada pela imprensa de ‘PEC do teto dos gastos públicos’. Polêmica e alvo de inúmeras críticas, a PEC 241 tem no Congresso a certeza da aprovação, mas inúmeros especialistas se manifestaram em público para afirmar que ela será catastrófica para o país, sacrificando, sobretudo, as camadas mais pobres da população. Segundo esse grupo contrário, saúde e educação serão sucateadas e o salário mínimo também sofrerá grande perda de valorização. Os convidados do programa, os senadores Paulo Bauer (PSDB-SC), líder do partido no Senado, e Rose de Freitas (PMDB-ES), líder do governo no Congresso, tentaram convencer a população de que essa saída é necessária.
A senadora Rose de Freitas tentou explicar porque a PEC precisa, sob seu ponto de vista, ser aprovada, mas não sem antes criticar os últimos três anos do governo Dilma Rousseff que, segundo ela, não tiveram nenhum orçamento aprovado. Ela ainda afirmou que a situação do país é difícil: “Estamos no auge de uma crise no Brasil, não temos dinheiro pra gastar. Se der mais um tempinho, nas condições em que está hoje, o Brasil vai quebrar”. Ela prosseguiu: “O Brasil gasta mais do que arrecada e não vem de agora”. Ela ainda foi enfática: “A maneira de administrar o Brasil faliu”. A política ainda garantiu que nunca foram ‘oferecidos’ à sociedade “números reais da economia brasileira”.
O senador Paulo Bauer tentou dividir com a sociedade as responsabilidades atribuídas ao governo: “No Brasil nós temos um vício de achar que o governo pode tudo, que o governo deve tudo. Qualquer problema que tenhamos a gente transfere a culpa pro governo”. Ele disse que o setor privado, os investidores e vários outros grupos sociais recorrem ao governo quando estão com problemas e opinou: “Precisamos mudar essa cultura. O Brasil precisa aprender a trabalhar com o dinheiro que tem”. Paulo Bauer concordou com a colega senadora: “Há muitos anos que estamos trabalhando com números que não são reais”. Ele criticou governos que teriam, sob sua ótica, cedido às pressões: “A pressão da sociedade sobre a classe política existe, a classe política não resiste e força o governo”.
O tucano afirmou que em 2016 o déficit público está em R$ 170 bilhões e disse que sem a aprovação da PEC, em 2017 poderia ser ainda pior: “No ano que vem seriam maiores [os valores do déficit], se a gente não colocasse um limite. Esse limite é a PEC”. Ele preferiu não criticar os estudantes que ocupam escolas contra a proposta, mas se posicionou a respeito: “É bom que a juventude participe. O que pode estar acontecendo é um problema de comunicação”. Para Bauer, “ainda não há na sociedade uma noção da realidade brasileira”.
O senador tentou explicar, ainda, porque o pagamento de juros ficou fora da PEC e fez algumas ponderações sobre as taxas praticadas no Brasil: “Os juros sempre aumentam no momento em que você precisa de mais dinheiro do banco”. Ele ainda considerou: “O governo é um cliente do sistema financeiro”. E finalizou: “Precisamos reduzir a dívida para reduzir o juro”. Bauer explicou porque não é, em seu ponto de vista, possível diminuir a taxa de juros de forma mais drástica no país. O tucano insistiu na PEC 241 como uma forma de mudar outras políticas econômicas do país: “Enquanto o governo não apontar numa direção de redução de despesas concreta, não vamos ter diminuição da taxa de juros”.
Mariana Godoy citou um texto publicado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nesta semana que critica abertamente a PEC 241 e classifica a proposta como “injusta e seletiva, que supervaloriza o mercado em detrimento do Estado”. A senadora Rose de Freitas comentou o posicionamento da CNBB e deu números estimados da dívida pública do país para justificar a necessidade de aprovar a emenda.
A senadora peemedebista reconheceu que os menos privilegiados normalmente pagam pelos erros na administração do país: “A culpa das gestões, dos erros, tudo isso recai sobre os mais pobres”. Ela ainda citou o exemplo de uma dona de casa para afirmar que é hora de “arrumar as contas” e reafirmou: “Estamos falando de um país muito endividado”.
O tucano Paulo Bauer fez outras considerações acerca do futuro do país: “Não adianta querer fazer uma série de coisas na área da saúde e, ao mesmo tempo, o governo continuar aumentando seu investimento. Temos que acenar para os credores que vamos pagar as dívidas”. Paulo Bauer foi além: “É preciso fazer mais, é preciso reformar a Previdência, é preciso conceder serviços públicos à iniciativa privada”.
Ao afirmar que as pessoas não têm noção dos gastos do governo, a senadora Rose de Freitas foi interrompida por Mariana Godoy, que garantiu que o povo sabe sim, sobretudo dos gastos exorbitantes do Congresso Nacional.
A professora de economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Cristina de Mello também participou da discussão e mostrou, focando experiências internacionais, porque é contrária à aprovação da PEC 241. Ela foi taxativa: “A PEC não é garantia de diminuição da dívida pública. Estamos colocando um teto muito elevado para os gastos públicos”. A economista expôs três cenários possíveis para uma provável aplicação da PEC – queda de receita, estagnação de receita e aumento de receita – e discorreu sobre o assunto. Para a professora, não há no país nenhuma proposta concreta para o aumento da receita. A professora citou políticas semelhantes praticadas em outros países do mundo e apontou diferenças gritantes da proposta feita pelo governo para o Brasil.
Neste momento, a senadora Rose de Freitas foi direta e garantiu que “a Proposta de Emenda à Constituição vai passar no Senado” e sentenciou que não existe a menor chance de ser barrada.
Continuando com seu raciocínio, a professora Cristina de Mello pontuou: “Eu vim aqui para marcar posição: é um erro, é uma escolha errada”. A economista ainda mandou um recado ao presidente Michel Temer. Entendendo que a reprovação da PEC no Senado causaria uma instabilidade desnecessária ao governo, ela propôs que o próprio Temer voltasse atrás nessa decisão e retirasse a proposta da pauta de votações do Congresso. Segundo ela, só isso seria capaz de impedir tempos sombrios para o país. Cristina fez questão de enfatizar que é preciso inserir a sociedade nesse debate e concluiu: “Cedo ou tarde quem paga a conta somos todos nós”.
Voltando à afirmação de que se gasta muito com o Congresso, a senadora Rose de Freitas fez algumas considerações. Ela afirmou que é ficha limpa, que não faz lobby e garantiu: “Eu vivo com o salário que eu ganho. Todas as mudanças que quiserem fazer em cima do meu salário eu aceito”. Ela ainda explicou por que a necessidade de uma PEC e criticou a demora na análise dos projetos de lei.
Reinserido no debate, o senador Paulo Bauer explicou porque acredita que é preciso tomar, nesse momento, uma decisão tão radical: “Não é possível condenar ou criticar uma decisão do presente sem analisar por que essa decisão precisa ser tomada”. Ele criticou a gestão do Partido dos Trabalhadores: “Temos no Brasil milhares de obras paradas, de um governo que queria conquistar a simpatia popular”. Bauer acusou: “Se escondia número e verdade da sociedade”. Ele ainda fez outra afirmação envolvendo o governo impedido: “O impeachment aconteceu porque era necessário mudar a forma de governar”. Paulo afirmou: “A PEC 241 é necessária para que se coloque limite nos gastos, para que o país possa fazer um reordenamento nos gastos”.
Ao serem questionados sobre o porquê de não se taxar as grandes fortunas – só dois países da Organização Para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) não o fazem e o Brasil é um deles – a senadora Rose de Freitas afirmou que é defensora da medida. Paulo Bauer, no entanto, deu uma resposta menos conclusiva: “Pessoalmente sou contra a criação de qualquer novo imposto no Brasil. Eu sou a favor da redução”. O senador, entretanto, reconheceu que o momento não privilegia esse tipo de ação, mas ele defendeu seu ponto de vista: “O Brasil cobra muito caro em relação ao que se produz no país”. Bauer ainda criticou investimentos do BNDES no exterior.
Para finalizar sua participação no programa, a senadora Rose de Freitas disse que não sabe se deixará a liderança do governo no Congresso.
A atração musical do Mariana Godoy Entrevista foi o grupo Rádio Táxi, que fez sucesso muito grande na década de 1980 e que conta, hoje em dia, com uma formação diferente da original. Fazem parte do grupo os músicos Fábio Nestares, Gel Fernandes, Lee Marcucci, Gabriel Navarro e Flávio Fernandes. Gabriel, por problemas particulares, não pode vir à atração da RedeTV!.
Fábio celebrou o fato de ver uma “garotada” cantando as músicas da banda veterana: “É bom que as músicas dos anos 80 ficam”. Para matar a saudade dos fãs, eles tocaram uma versão acústica de ‘Garota Dourada’.
Depois da canção, Fábio comentou a perda de Wander Taffo: “Foi depois da morte do Wander que o Rádio Táxi decidiu parar e encerrar a carreira”. Depois de algum tempo, no entanto, o grupo decidiu voltar: “É lógico que o show tem que continuar e aí o Rádio Táxi voltou”, considerou o artista.
Ao ser questionado por internauta se o rock havia morrido, Fábio falou sobre as diferenças do rock dos anos da década de 1980 para o da atualidade: “O cenário político dos anos 80 era um e hoje é outro, fora que nos anos 80 a gente tinha propostas propícias para se fazer isso”. Ele ainda citou uma banda que, sob seu ponto de vista, se destacava nas letras políticas: “Legião [Urbana] fazia isso muito bem”. Fábio concluiu: “O rock nunca morreu, mas hoje o cenário midiático não é do rock”.
Para finalizar o Mariana Godoy Entrevista, a banda apresentou um de seus maiores sucessos: ‘Eva’.
*Crédito/Foto: Divulgação/RedeTV!

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Andreh Ponttez Gomez, é ator, blogueiro e jornalista por vocação. Participou de mais de 300 programas de TV, nas principais emissoras do país. É Youtuber, responsável pelo canal Alvorada do Brasil.

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