”O Mensalão foi o prefácio da Lava Jato”, afirma Roberto Jefferson

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O programa Mariana Godoy Entrevista desta sexta-feira (10) recebeu o presidente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) Roberto Jefferson, que foi condenado no que ficou conhecido como escândalo do “Mensalão”. Ele recebeu o perdão da pena, reassumiu a presidência do partido e assiste de fora aos desdobramentos do impeachment da presidente Dilma Rousseff e da Operação Lava Jato.

O político disse como está acompanhando os problemas do país: “Assistindo bem de perto. Eu fico em Brasília três vezes por semana”. Jefferson revelou que, com o perdão da pena, pretende voltar à vida pública: “Vou disputar uma eleição para deputado federal. Eu vou voltar”. Ele garantiu ter o apoio da família nesta escolha.

Questionado sobre uma possível candidatura à presidência da República, o presidente do PTB desconversou: “Isso depende de uma estrutura mais sólida, de um envolvimento maior, de uma estrutura bem densa, é uma coisa que precisa ser bem discutida dentro do partido”. Sobre o partido ter ou não um nome para o pleito, ele deixou claro: “Pode ser que surja [um nome para concorrer], mas o nosso caminho natural é uma aliança”. Roberto Jefferson ainda falou sobre uma possível candidatura de Michel Temer: “Ele é um grande nome”. Ele elogiou: “Ele está equilibrando a economia do país”.

O político discorda do comentário de Mariana Godoy, que lembrou que Michel Temer é muito criticado pela escolha de seus ministros, haja vista que muitos deles foram “obrigados” a deixar o governo por serem citados em escândalos de corrupção. Jefferson defendeu as escolhas do presidente: “A condenação, a partir da publicação de uma notícia, está uma coisa muito violenta. O que há contra o Moreira Franco? Ele foi citado na Lava Jato. Moreira é um ministro importantíssimo do governo. Ele é uma inteligência em favor do governo.  O presidente do PTB mostrou seu desejo por um desfecho “feliz” para o escolhido por Temer para a Secretaria-Geral da Presidência da República:  “Tomara que ele se consolide como ministro”.

Roberto Jefferson defendeu a indicação de Alexandre de Moraes, que era filiado ao PSDB, ao Supremo Tribunal Federal (STF), justificando que o ministro Nelson Jobim era do PMDB e foi, segundo ele, um dos maiores ministros do Supremo. “Um brilhantíssimo constituinte”. Ele prosseguiu: “E daí que seja político, filiado a um partido? O Alexandre de Moraes é um promotor de carreira, é um professor de direito constitucional”. Ele ainda “profetizou”: “Será um grande ministro”. Roberto Jefferson ainda citou os ministros Luiz Fux e Dias Tófolli que, indicados pelo PT, não teriam votado em favor do partido em diversos momentos na Corte. Para ele, o fato de ser indicado por um partido não faria com que o ministro traísse sua convicção jurídica. Ele ainda citou outros casos em que, segundo ele, os ministros jamais beneficiaram os presidentes que os indicaram.

Questionado por internauta, Roberto Jefferson falou sobre o uso de tornezeleira eletrônica: “Já usei, mas não uso mais”.

Ao ser questionado se não seria o momento de se indicar um juiz de carreira, um juiz federal ao Supremo, o político não ficou em cima do muro e falou sobre a “campanha” para a indicação do juiz Sérgio Moro: “Seria o pior dos indicados para o Supremo. Ele não poderia, no Supremo, julgar os processos da Lava Jato”. Ele ainda finalizou: “Um grande juiz, um grande homem, mas não poderia ser juiz do Supremo. Seria um erro colocar o juiz Moro lá”.

Ao ter a Lava Jato comparada ao “Caso Banestado”, que acabou não tendo resultados práticos, Roberto Jefferson disse não acreditar que o mesmo ocorrerá com a operação em curso: “Não há a menor condição. O processo está em andamento, os depoimentos estão sendo tomados, os inquéritos foram abertos. Nós já estamos em fase de denúncia e sentença”. Jefferson defendeu a quebra do sigilo das delações da Odebrecht: “Eu sou a favor que se abra imediatamente cada delação”.

Roberto Jefferson falou sobre a “importância” do Mensalão para a deflagração da Operação Lava Jato e opinou sobre o que o caso em que esteve envolvido significou para as investigações que ocorrem no país neste momento: “O prefácio. Ali foi o começo de tudo. Foi o prefácio e o primeiro capítulo”. O político garantiu que alertou o ex-presidente Lula para os “problemas” que, mais tarde, denunciou à imprensa e que se transformaram no Mensalão: “Àquela época todo mundo acreditava no PT”. Ele ainda criticou o Partido dos Trabalhadores (PT): “As práticas eram da pior qualidade”. O político garantiu: “Eu não imaginava que as coisas chegassem onde chegaram”. Ele foi taxativo ao garantir que não sabia do tamanho dos problemas da Petrobras: “Nem imaginava que a coisa chegasse àquele tamanho”

O presidente do PTB contou qual era o “modus operandi” de governo e empresas: “Todo partido que tem acento no governo tem apoio mais fácil das classes empresariais”. Roberto Jefferson garantiu que até cerca de oito anos atrás a coisa funcionava da seguinte maneira: “Quando alguém doava pra uma campanha política dava 10% oficial e 90% por fora”. Segundo ele, a ideia das empresas era não ficar com a imagem arranhada com nenhum partido.

O político comentou suas impressões sobre o atual momento político do país e disse acreditar que as coisas estão mudando para melhor: “A minha impressão é que a própria tocada do presidente Temer é uma coisa muito mais cautelosa, é muito mais sensata, a relação dele com o Congresso é muito mais digna“. Ele ainda opinou: ”Ninguém mais opera no porão, isso não existe mais”.

Quando foi confrontado com o pedido de urgência da Câmara para votar a mudança da prestação de contas dos partidos políticos, ele fez críticas severas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Só no Brasil existe TSE. É uma intervenção indevida do Poder Judiciário no processo eleitoral. Só no Brasil você tem Justiça Eleitoral, custa uma fortuna ao país”. Roberto Jefferson listou os motivos que fazem com que ele reprove a existência do órgão e acusou: “É um perfeccionismo monstruoso”. Segundo ele, o excesso de burocracia do TSE pode acabar com um partido, uma vez que a instituição pode barrar a liberação de verba destinada aos grupos políticos: “Não pode receber doação privada mais, se não recebe o fundo partidário fecha o partido”.

Roberto Jefferson ainda comentou o caso do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que teria tentado usar sua influência no governo para a obtenção de benefícios próprios: “Ele errou e o presidente o exonerou”.

Voltando a falar da votação de urgência da Câmara, o político do PTB acusou a mídia de não ter conhecimento do tema e atrapalhar a votação envolvendo o TSE: “A imprensa, sem conhecer o processo, demoliu a reputação do presidente da Casa, o Rodrigo [Maia]. Ele colocou em voto uma coisa que é pra dar força aos partidos para existir. Não há democracia sem representação“. Para finalizar esse tema, ele foi enfático: “Essa coisa do Judiciário a todo momento querer suprir as posições que são do Legislativo ou do Executivo está ficando muito ruim”.

Ao dizer que seu partido é favorável ao projeto que prevê o abuso de poder, ele fez críticas severas às “10 Medidas Contra a Corrupção”: “A Lava Jato existe sem aquilo. Eles acabavam com habeas corpus. Imagina uma família que tem um filho preso porque estava com dois pacotinhos de maconha. Não pode tirar mais o menino. Acabou o habeas corpus. Termina a prescrição, cria o delator remunerado. Isso é uma figura que vem do direito nazista, quando se instalou o Reich na Alemanha, que o filho fazia delação contra o pai, ou no princípio de Lênin, na Rússia”. Ele foi além: “Justificavam a tortura como prova”. Jefferson comparou as “10 Medidas” com, segundo ele, as atitudes violentas praticadas pelo ex-presidente dos EUA George Bush com muçulmanos suspeitos de terrorismo. Ele finalizou: “A Lava Jato está indo bem sem essa legislação que propôs. Ela tem a força de um furacão, ela não para mais, vai levar todos à condenação”.

Roberto Jefferson disse não ver problemas em senadores citados na Lava Jato sabatinarem o indicado ao STF Alexandre de Moraes. Para ele, a sabatina não influenciaria a tomada de decisões do ex-ministro da Justiça caso este seja confirmado no Supremo.

O repórter Mauro Tagliaferri afirmou que tem visto muitos empresários condenados na Lava Jato e poucos políticos, mas Roberto Jefferson discordou do ponto de vista do jornalista: “Isso não é verdade, Mauro. José Dirceu está preso, ex-todo poderoso do PT. O ex-presidente da Câmara, o Eduardo Cunha, está preso. O ex-governador do Estado do Rio, o segundo estado da Federação, está preso. Os políticos estãos sendo presos sim“. Para ele, os ministros do STF estão sobrecarregados e estão certos ao dividirem os julgamentos da Lava Jato com outros processos importantes que chegam às mãos dos membros da Corte.

Confrontado com a opinião de Eduardo Cunha, que se acharia “um troféu” do juiz Sérgio Moro, O presidente do PTB foi direto: “Não é arrogância não se achar o rei da cocada preta? Conversa ruim do Eduardo”. Ele continuou: “O juiz Sérgio Moro é duríssimo, mas não fica fazendo gracinha na imprensa. Ele é duro, mas o povo gosta dele”. Ele finalizou: “Se ele [Cunha] renuncia à presidência da Câmara no dia em que ele impichou a presidente Dilma ele ficava com metade do povo ao lado dele”.

Ao ser questionado se teria se arrependido de ter feito as denúncias que o levaram à cadeia, Roberto Jefferson garantiu: “Faria tudo outra vez”. Ele ainda falou sobre o tempo no cárcere: “Não fico feliz por ver ninguém preso, é muito ruim”. E disse como se manter são nesse período: “É não se revoltar. É você ter a capacidade de se resignar, entender que é um momento e que aquilo vai passar e que você vai sair dali“. Ele ainda disse que quem passa por isso não pode se fazer de vítima: “Para estar ali fez alguma coisa. Esta expiando uma culpa que tem”.

Roberto Jefferson afirmou que a situação processual de dois dos presos na Lava Jato é gravíssima: “Ele [Eike Batista] não ficará impune, como Sérgio Cabral não ficará impune”.

O político disse não crer em uma delação bombástica de Eduardo Cunha: “Ele tem que denunciar do presidente da República ao Papa. No nível dele está todo mundo já denunciado. Ele não tem como fazer delação premiada”. Jefferson ainda descreveu Cunha: “É um dos homens mais inteligentes que eu conheci na minha vida. É um homem agressivo, mas que se achou, de repente, mais importante do que é. Ninguém nessa terra é semideus. Eu não vi ninguém que desafiasse Deus sair vitorioso”.

Sobre a polêmica gravação envolvendo o senador Romero Jucá, em que ele dizia claramente que era necessário fazer um grande acordo para “estancar a sangria”, o presidente do PTB garantiu não ver chance de um “acordão”: “Não acreditem nisso e me chama aqui de novo se isso acontecer. Não haverá leniência do Supremo com ninguém envolvido na Lava Jato”. Jefferson foi além: “Eu penso que o Brasil está melhorando, está saindo dessa crise moral. Quem errou vai pagar o preço do erro”.

O futuro candidato a deputado federal comentou o que espera das eleições. Para contextualizar, ele disse que não crê que sua condenação foi “totalmente” justa: “Fui condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro e não fiz uma nem outra”. Ele explicou os crimes que cometeu, como foram interpretados e desabafou: “Eu não creio naquela sentença. Para mim a sentença soberana não é a do juiz, é a do povo. E eu quero passar pela decisão do povo”. Ele criticou o ministro que o condenou: “Mais importante que o Joaquim Barbosa é o povo do Brasil. É o povo de São Paulo, é o povo do Rio e esse é que vai me julgar”.

Roberto Jefferson falou sobre a receptividade encontrada nas redes sociais e observou: “Eu tenho uma maneira de ser especial. As pessoas podem divergir de minhas posições, mas todo mundo sabe que eu tomo posições”. Ele prosseguiu: “Eu aprendi, desde cedo, com meu avô Ibrahin, que o homem que não tem lado não tem fundo e eu sempre tive lado”. O político criticou os políticos que ficam “em cima do muro” e os chamou de “pólvora molhada”.

O presidente do PTB deu sua opinião sobre o foro privilegiado: “Sou contra. O foro privilegiado parece uma coisa muito importante, mas ela te prejudica”. Ele explicou: “Foro privilegiado não tem recurso”. E lamentou: “Se a opinião pública se mobiliza é pelotão de fuzilamento, não tem escapatória”. Roberto Jefferson, no entanto, garantiu: “Sou a favor da prisão em segunda instância”.

Roberto Jefferson se mostrou favorável à reforma da Previdência e garantiu que para corrigir as distorções, sobretudo entre as aposentadorias do funcionalismo e do trabalhador CLT, “Só fazendo a reforma da Previdência”. O presidente do PTB usou a crise da polícia do Espírito Santo para criticar: “Os coronéis da PM se aposentam ‘full’ com 25 mil reais aos 48 anos de idade”.  Ele foi enfático ao dizer que isso não é justo. Para ele, os principais críticos à ideia de idade mínima de 65 anos para a aposentadoria são os funcionários públicos”. Ele ainda adiantou o voto do PTB na reforma: “A favor dos 65 anos e contra a desvinculação do benefício da aposentadoria do salário mínimo”.

Sobre as acusações que recaem sobre o governo Temer de ser um governo “golpista e entreguista”, que neste momento estaria disposto a privatizar “tudo” no país, Roberto Jefferson se mostrou favorável a este tipo de política, mesmo que se privatize do pré-sal ao aquífero Guarani. Para se justificar, ele afirmou: “Quanto maior o estado mais corrupto é o governo”. Ele ainda se justificou com a crise da Petrobras e acusou a presidente Dilma de ter ciência dos casos como o da refinaria de Pasadena.

Não muito integrado à polêmica que envolve o perdão das dívidas das teles, Roberto Jefferson deu uma ideia, uma “solução de mercado”: dar mais 25 anos para deixar a iniciativa privada explorar o a estrutura que já existe.

O presidente do PTB reafirmou que será candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro ou por São Paulo.

Roberto Jefferson falou sobre sua participação no programa O Povo na TV e observou: “Eu aprendi a fazer televisão”. Ao ver uma foto da época, ele relembrou: “Eu era bem gordo, eu cheguei a 170 kg. Eu fiz uma redução de estômago aqui em São Paulo em 2000”.

O político falou sobre o câncer que enfrentou e explicou que tem uma vida mais ou menos normal: “Eu tive que tirar o estômago todo, tive que tirar metade do pâncreas, tirei o duodeno, tirei a vesícula e tirei três metros de intestino. Eu virei uma sabiá gigante. Eu como e vou ao banheiro”. Jefferson explicou as limitações alimentares, sobretudo no que diz respeito às gorduras: “Eu tenho limitações? Tenho limitaçõe. Eu tenho que administrar”.

O presidente do PTB disse ser um homem religioso, católico, e garantiu que vai semanalmente à missa: “Eu não creio que o homem consiga viver bem sem a crença em Deus”

Roberto Jefferson analisou a possibilidade de uma chapa formada por Ciro Gomes e Luiz Inácio Lula da Silva e provocou: “Tomara que venha, nós vamos dar uma coça nos dois”. Ele prosseguiu: “O Ciro é um bom sujeito, mas é muito brigão”. Ele ainda comentou as eleições de Trump nos EUA e Doria em São Paulo e comentou possíveis candidaturas de Cármen Lúcia, Sérgio Moro e Joaquim Barbosa, além de dizer que o ex-ministro do STF que o condenou não tinha postura de juiz: “Parecia o Batman”.

Ao falar sobre Renan Calheiros, ele preferiu não fazer julgamentos, mas observou: “Não quero fazer juízo, mas quem é que consegue o milagre de ficar fora de 12 processos?”

Ao falar sobre a reforma trabalhista, Roberto Jefferson foi enfático em seu ponto de vista: “A favor”. O político explicou a sua posição [e do PTB]: “A pedra fundamental, a pedra de toque é que o acordado, a convenção coletiva, o acordo coletivo de trabalho tenha força de lei”.

Para finalizar sua participação no programa, o presidente do PTB mostrou seu lado cantor ao interpretar, em parceria com Mariana Godoy,  a canção “Smile”, composta por Charles Chaplin.

*Crédito Foto: Divulgação RedeTV!

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