Glória Maria desabafa: “A discriminação continua igualzinha”

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Glória Maria foi entrevistada do primeiro programa da nova temporada do Conversa com Bial, da Rede Globo, na segunda-feira (18/05). Por  vídeo-chamada, a jornalista refutou a forma pela qual a imprensa vem sendo tratada pelo atual presidente da República, Jair Bolsonaro. A jornalista ainda falou sobre um tumor no cérebro que vem tratando há sete meses e também de temas como o preconceito.

“Às vezes eu penso que não é possível que estou vivendo para ver e ouvir isso tudo. Vai além de qualquer imaginação. Política, para mim, é uma coisa de nível tão alto e o que estou vendo agora é de uma tristeza. Graças a Deus não cubro mais política, porque eu já teria apanhado ou teria batido, com certeza”.

Ao ser questionada por Pedro Bial sobre o que faria, caso um governante a mandasse “calar a boca”, lembrando episódios protagonizados por Bolsonaro, Glória disparou: “Eu não me calaria nunca. Eu diria para ele: ‘Vamos conversar, vamos falar juntos. Eu pergunto e você responde”.

Atuando há 50 anos no jornalismo da TV Globo, Glória Maria participou de importantes coberturas políticas. No bate-papo ela contou também que durante a ditadura militar foi perseguida pelo então presidente general João Figueiredo.

“Quando ele foi indicado, a gente foi fazer a famosa fala dele na Vila Militar, em que ele dizia ‘para defender a democracia, eu bato, prendo e arrebendo’. Eu sou boa em português, e ele citou uma coisa da gramática que não existia mais, e eu disse: ‘presidente, o senhor me desculpa, mas isso que o senhor citou não existe mais’. Ele gritava: ‘tira essa mulher daqui, tira essa mulher daqui’. Eu saí escorraçada e passei todo o governo Figueiredo ouvindo ‘tira essa neguinha da Globo daqui'”, relembrou.

Para Glória, o Brasil continua tão racista quanto naquela época.

“A única diferença é que as coisas ganham uma proporção maior, mas nada mudou. A discriminação continua igualzinha”, comentou a repórter.

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