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Como as redes sociais impactam a autoestima de jovens e adultos?

Nós descobrimos quem somos quando nos comparamos com o grupo e descobrimos afinidades e diferenças. Todos os seres humanos se comparam com os demais. As redes sociais criam padrões de comportamento, sociais e físicos que são inatingíveis e pouco realistas. E a autoestima é impactada quando as pessoas se comparam com esses padrões sociais. Enquanto antigamente nos preocupávamos com o efeito negativo que as fotos de modelos magérrimas tinham para a autoestima, hoje são os próprios amigos que postam fotos tratadas por Photoshop.

Existem pessoas que passam horas trabalhando em seus perfis sociais tentando apresentar uma imagem idealizada de si, e isso não só é exaustivo como produz ansiedade e insegurança. Ainda mais quando a imagem que a pessoa apresenta de si não representa quem ele sente que é de verdade. Trabalhar para manter uma imagem de si que não corresponde àquilo que você é impacta negativamente a autoestima. Um outro problema é que as redes sociais são programadas para que nós estejamos constantemente engajados. Então, cada vez que recebemos um like ou um comentário, por exemplo, nosso cérebro produz pequenas doses de dopamina. Isso faz com que fiquemos constantemente engajados nas redes e de certa forma dependentes desta forma de validação social.

É claro que as pessoas sempre se comparam com o outro e buscam validação social, mas um dos problemas com as redes é que essa dinâmica acontece o tempo inteiro. Um estudo feito nos Estados Unidos descobriu que o uso das mídias sociais com o intuito de comparar-se com o outro ou ter a validação do outro, está associado com sintomas de depressão. Outro estudo feito em 2019 concluiu que adolescentes que usavam mídias sociais em excesso, por mais de 3 horas por dia, tinham maior risco de desenvolver doenças mentais e menos bem-estar.

Uma forma de melhorar a relação consigo mesmo em um momento em que as redes sociais moldam o comportamento e a autoestima das pessoas é mudar o foco da autoestima para a autocompaixão. A autoestima é resultado de uma avaliação que fazemos sobre nós mesmos. Ela é um sentimento positivo que surge quando nos comparamos socialmente e nos sentimos melhor do que os outros, ou quando percebemos que os outros nos avaliam de forma positiva. E independente do quão bem você esteja, tem sempre alguém melhor do que você e sempre existirão pessoas que não vão te aprovar.

As referências a que nos comparamos nas redes sociais são muitas vezes pouco realistas e inalcançáveis. A dependência da comparação social e da  aprovação do outro nos torna vulneráveis e prejudica a nossa relação conosco. Podemos pensar que se nosso valor depende do resultado de uma avaliação, está implícito que não temos valor intrínseco. Se o foco é na autoestima, ficamos presos em um ciclo de agradar ao outro para sabermos que temos valor. E quando erramos ou percebemos que não somos bons em algo que é importante pra gente, a autoestima sofre também. Quando estamos vulneráveis e sofrendo, a ênfase na autoestima é outra fonte de sofrimento porque nos sentimos inadequados e inferiores por não estarmos bem.

A autocompaixão é um antídoto poderoso para as dificuldades emocionais. A autocompaixão consiste em ter uma visão lúcida e realista sobre as nossas dificuldades e imperfeições, entendendo que elas são naturais e fazem parte da experiência humana. É o entendimento de que erros e defeitos são comuns a todos. Quando aceitamos nossas imperfeições com o entendimento de que são normais, conseguimos ver os erros como parte do nosso aprendizado e não provas da nossa incompetência. Quer dizer, nossas imperfeições fazem parte de quem somos, mas elas não nos definem. E se entendemos que todos sofremos, não nos sentimos inferiores por sofrer. Sob essa perspectiva, fica mais fácil ser gentil consigo mesmo durante um momento de dificuldade.

Autocompaixão, uma habilidade que pode ser aprendida, é sobre dar suporte a si mesmo como você daria a um grande amigo que estivesse passando pela mesma situação. Fica mais fácil pedir ajuda, evoluir e superar o que nos incomoda. Intervenções focadas em desenvolver autocompaixão nas pessoas causam uma redução significativa de sintomas de ansiedade, estresse e depressão. Autocompaixão está relacionada a resiliência emocional e satisfação com a vida.

  crédito J. Mantovani

Adriana Drulla é Mestre em Psicologia Positiva, pela Universidade da Pennsylvania, e especialista em Compaixão e Autocompaixão pela Universidade da Califórnia, em San Diego (EUA) e pela USP. É formada em Conscious Parenting, por Shefali Tsabary, psicóloga referência mundial em parentalidade consciente.

Perfil no Instagram: https://www.instagram.com/adrianadrulla/?hl=pt-br

Podcast Crescer Humano: https://spoti.fi/3lzJghY

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