Sacerdote Leonardo Caputi explica por que a Quimbanda ganha cada vez mais visibilidade no Brasil e no mundo

Por muito tempo cercada por preconceitos, estigmas e interpretações equivocadas, a Quimbanda vem conquistando novos espaços e despertando o interesse de pessoas dentro e fora do Brasil. Para o Sacerdote Leonardo Caputi, o aumento da procura já pode ser percebido diretamente na rotina de seu templo.

Leonardo relata que sua agenda está cada vez mais disputada, com pessoas procurando consultas, orientações, rituais e conhecimentos relacionados à Quimbanda. E essa procura já ultrapassou as fronteiras brasileiras.

Segundo o sacerdote, o interesse de pessoas que vivem na Europa e em outros países cresceu a ponto de surgir a necessidade de criar uma área específica na internet voltada ao público europeu.

“Hoje recebemos pessoas de diferentes lugares do Brasil e também temos uma procura crescente de quem está fora do país. A internet aproximou essas pessoas da Quimbanda e permitiu que um conhecimento que antes ficava muito restrito atravessasse fronteiras”, explica Leonardo Caputi.

Uma sede de Quimbanda na Europa?

Com o crescimento internacional, surge uma pergunta inevitável: Leonardo Caputi pretende levar seu trabalho sacerdotal fisicamente para a Europa?

O sacerdote afirma que essa possibilidade existe em seus planos de longo prazo, mas ressalta que seu foco atual permanece no Brasil.

“Não descarto uma futura sede da nossa Quimbanda na Europa. É um projeto que pode acontecer mais à frente. Neste momento, porém, meu trabalho e minha expansão estão concentrados no Brasil. Quero que qualquer crescimento aconteça com estrutura e responsabilidade”, afirma.

Rituais, pactos e transformação

Outro fator que, segundo Leonardo, ajuda a explicar o aumento da procura é o relato de consulentes e praticantes que atribuem mudanças importantes em suas vidas aos trabalhos realizados dentro da Quimbanda.

Prosperidade, abertura de caminhos, proteção e questões pessoais estão entre os motivos que levam pessoas a procurar o templo. Entre as práticas oferecidas estão consultas oraculares, rituais e pactos realizados dentro da tradição seguida pelo sacerdote.

Leonardo ressalta, porém, que a Quimbanda não deve ser reduzida à ideia de conseguir dinheiro, relacionamentos ou soluções imediatas.

“A pessoa muitas vezes chega procurando um ritual para resolver um problema específico e acaba conhecendo algo muito maior. Existe fundamento, tradição, responsabilidade e uma estrutura religiosa por trás daquilo que fazemos.”

Do preconceito à visibilidade

Para Leonardo Caputi, a expansão também traz um desafio: quanto maior a exposição da Quimbanda, maior a responsabilidade de explicar publicamente seus fundamentos e enfrentar conceitos construídos historicamente sobre Exu e as religiões de matriz afro-brasileira.

O sacerdote acredita que parte do crescimento atual acontece justamente porque as pessoas passaram a ter acesso direto a sacerdotes, templos, aulas e conteúdos religiosos, em vez de conhecer a Quimbanda somente pela visão de terceiros.

“A Quimbanda não precisa permanecer escondida para preservar seus fundamentos. Existem conhecimentos que são iniciáticos e continuarão sendo, mas também existem muitas coisas que podem ser explicadas. Quanto mais informação séria existir, menos espaço haverá para o preconceito.”

Para o sacerdote, o crescimento observado atualmente pode ser apenas o começo de uma transformação maior na maneira como a Quimbanda é percebida dentro e fora do Brasil.

E, embora uma sede europeia ainda seja um projeto para o futuro, a procura internacional já mostra que as fronteiras geográficas estão deixando de ser um limite para a expansão de sua tradição.

Anddreh Ponttez

Anddreh Ponttez é jornalista, atuou em diversos veículos de comunicação. É colunista de TV e famosos dos programas de Nani Venâncio e Lucimara Parisi na Rede Brasil de Televisão. Instagram:@anddrehponttez

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *